Desenvolvimento económico e bem comum: Crescer para Quem?
Páscoa Themba Buque, EticAndo.
Quando se fala de desenvolvimento económico de qualquer país, Moçambique incluso, quase sempre ouvimos números: crescimento do PIB, investimentos, grandes projectos, infra-estruturas. Mas, eticamente falando, faço, inúmeras vezes, uma pergunta simples e que me parece essencial: quando é que o crescimento vai, de facto, melhorar a vida das pessoas comuns?
No nosso quotidiano, a percepção de desenvolvimento nem sempre coincide com os indicadores oficiais. Há comunidades onde chegam grandes investimentos, mas continuam a faltar serviços básicos, oportunidades locais e participação nas decisões. Isto levanta uma questão central: desenvolvimento não pode ser apenas crescimento económico; deve ser, acima de tudo, melhoria real do bem-estar colectivo.
Na sabedoria popular moçambicana diz-se: “não se chama festa quando só alguns comem”. Esta expressão resume bem o dilema ético do desenvolvimento. Quando os benefícios económicos ficam concentrados em poucos, geram-se desigualdades, frustrações e perda de confiança social, principalmente quando a ética do desenvolvimento exige inclusão, transparência e justiça na distribuição de oportunidades.
Outro aspecto essencial é a participação. Muitas vezes, as comunidades afectadas por grandes decisões económicas têm pouca voz nos processos, se ouvidos durante a consulta pública para a aprovação do projecto, mais tarde não são achados para acompanhar o processo de implantação e desenvolvimento de tal projecto económico. E muitas vezes vivemos a exploração mineira ou madeireira, mas não é acompanhada de estrada melhorada, escola decente, posto médico ou energia, ou seja serviços básicos para os “viventes” da zona de obtenção do ganho financeiro. Um desenvolvimento, verdadeiramente ético, precisa de escutar as pessoas, respeitar contextos locais, aplicar as imposições legais no que diz respeito ao apoio às comunidades locais, e garantir que as decisões não são apenas tecnicamente viáveis, mas socialmente justas.
No fundo, o desenvolvimento económico só cumpre o seu propósito quando fortalece o bem comum. Não se mede apenas pelos investimentos anunciados, mas pela dignidade geradas para as famílias, pelas oportunidades criadas, sobretudo para jovens, e pela confiança que a sociedade deposita no futuro, para as gerações vindouras

