A ética não falha. Nós é que falhamos
A ética não falha. Nós é que falhamos.
Por: Páscoa Themba Buque
ETICAndo
Não há dúvidas que vivemos tempos em que é cada vez mais comum ouvir que “os valores se perderam”, que “já não há ética”, que precisamos de resgatar os nossos valores, ou que “o mundo mudou”.
Mas será mesmo a ética que falhou? Ou somos nós que, em algum momento, decidimos afastar-nos dela?
Pessoalmente acredito, profundamente, que a ética não falha; nunca falhou; a ética está presente sempre: firme, silenciosa e inegociável.
Apenas cabe a cada um de nós a decisão de escolher o caminho; aliás cabe aos adultos, em cada casa, assegurar que a ética esteja presente nas escolhas sobre valores, postura ou ser e estar que sabemos serem correctas. É a cada um que reside (ou deveria residir) aquele incômodo interior quando fazemos algo que sabemos não ser justo. É na nossa consciência que deve ser chamada a responsabilidade, mesmo quando tentamos ignorá-la, sempre ficará claro que o que falha, na verdade, somos nós:
* Falhamos quando escolhemos o caminho mais fácil, mais favorecedor, ao invés do mais corretco.
* Falhamos quando justificamos pequenas desonestidades como se fossem inofensivas. E aqui me lembro do Prof Catedrático Brazão Mazula que diz “não há corrupção grande ou pequena, tudo estrangula a sociedade…”
* Falhamos quando o medo, a ambição ou a conveniência falam mais alto do que os nossos princípios.
E, pouco a pouco, essas pequenas, mas grandes falhas vão-se acumulando, e tornam-se hábitos, normalizam-se E, lamentavelmente, quando damos por ela, já não estamos apenas a contornar a ética; estamos a viver à margem dela, e muito confortavelmente culpamos “o sistema”, as lideranças, o contexto, enfim…Nunca assumimos que eu falhei, deixa-me corrigir. Esquecemos que, na verdade, os sistemas são feitos de pessoas; e que cada pessoa tem a sua quota de responsabilidade naquilo que constrói ou destrói.
Pelo que, o maior desafio em nós e nosso tempo quando se trata de ser bom servidor: ser ético, mesmo quando parece não ser mais conveniente para o benefício próprio.
Não é fácil, certamente nunca foi; mas é necessário, é importante para uma sociedade mais justa e preocupada com o bem-estar colectivo.
Entendo que, hoje, mais do que nunca, não se trata de perguntar onde falharam os valores. Trata-se de perguntar: em que momento eu falhei com eles?
E, mais importante ainda: o que estou disposto a fazer, a partir de agora, para não falhar novamente?
_Não sou perfeita, mas escolho viver eticamente certo!_

